Confira quem são todos os presos nas seis fases da Lama Asfáltica

Há pouco mais de três anos, em 9 de julho de 2015, força-tarefa composta pela Polícia Federal, Receita Federal e CGU (Controladoria-Geral da União) deflagrava a primeira fase daquela que seria uma das maiores operações contra desvios de recursos públicos em Mato Grosso do Sul: a Lama Asfáltica. O Jornal Midiamax fez um levantamento de todos os presos nas seis fases da operação, incluindo a Computadores de Lama, deflagrada nesta terça-feira (27).

PRIMEIRA FASE: Lama Asfáltica – 9 de julho de 2015

A primeira fase foi deflagrada com o objetivo de desarticular organização criminosa especializada em desviar recursos públicos de fraudes em licitações e contratações públicas. As investigações iniciaram em 2013 e apontaram a existência de empresas em nome de integrantes de grupo criminoso e de terceiros que superfaturavam obras públicas, por meio de fraudes em licitações e corrupção de servidores públicos.

As empresas investigadas atuam no ramo de pavimentação de rodovias, construção de vias públicas, coleta e limpeza pública, entre outro. Fiscalizações realizadas pela CGU revelaram prejuízo de aproximadamente R$ 11 milhões em obras executadas por essas empresas.

No primeiro dia da operação, ninguém foi preso, mas 19 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Em novembro do mesmo ano, a Justiça Federal autorizou prisão de 10 pessoas em desdobramento da operação, são elas:

Edson Giroto – ex-secretário estadual de Obras

Elza Cristina Araújo dos Santos – secretária e sócia de João Amorim

João Alberto Krampe Amorim dos Santos – dono da Proteco Construções

Maria Wilma Casanova Rosa – ex-diretora-presidente da Agesul 

Maxwell Thomé Gomez – engenheiro

Rômulo Tadeu Menossi – engenheiro

Wilson Cabral Tavares – engenheiro

 Wilson Roberto Mariano de Oliveira – servidor da Agesul e ex-deputado estadual

Átila Garcia Gomes Tiago de Souza – servidor Agesul

João Afif Jorge – engenheiro

SEGUNDA FASE: Fazendas de Lama – 10 de maio de 2016

Nesta segunda fase, o trabalho investigou a aquisição de propriedades rurais por meio de desvios de recursos públicos de contratos de obras, fraudes em licitações e recebimento de propinas. Os contratos sob investigação envolvem mais de R$ 2 bilhões. A organização criminosa investigada atua no ramo de pavimentação de rodovias, construções, prestação de serviços nas áreas de informática e gráfica. Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão, 15 de prisão temporária e 24 de sequestro de bens. Confira os presos no dia da operação:

João Alberto Krampe Amorim dos Santos – dono da Proteco Construções

Elza Cristina Araújo dos Santos – secretária e sócia de Amorim

Renata Amorim Agnoletto – filha de João Amorim

Ana Paula Amorim Dolzan – filha de João Amorim

Ana Lúcia Amorim – filha de João Amorim

Edson Giroto – ex-secretário estadual de Obras e ex-deputado federal

Rachel Rosa de Jesus Portela Giroto – esposa do ex-secretário

Wilson Roberto Mariano  de Oliveira – servidor da Agesul e ex-deputado estadual

Mariane Mariano  de Oliveira – filha de Wilson Mariano

Ana Cristina Pereira da Silva

André Luiz Cance – ex-secretário adjunto da Secretaria Estadual de Fazenda

Flávio Henrique Garcia – empresário

Evaldo Furrer Matos – administrador de propriedades rurais

Maria Vilma Casanova – ex-presidente da Agesul 

Hélio Yudi Komiyama – servidor da Agesul

TERCEIRA FASE: Aviões de Lama – 7 de julho de 2016

Nesta fase, novas fiscalizações apontaram alienação de aeronave no valor de R$ 2 milhões, situação na qual o grupo se desfez do transporte para realizar divisão do produto da venda em valores menores. No caso, a ação foi realizada mediante entrega de outra aeronave de R$ 350 mil, além de quatro cheques, que resultou no fracionamento do patrimônio com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro. A organização investigada atua no ramo de pavimentação de rodovias, construções e prestação de serviços nas áreas de informática e gráfica. Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão de aeronaves. Foram presos:

Edson Giroto – ex-secretário de Obras

João Krampe Amorim – dono da Proteco

Flavio Scrocchio – empresário

QUARTA FASE: Máquinas de Lama – 11 de maio de 2017

Na quarta fase, o objetivo foi desbaratar organização criminosa acusada de fraudes em licitações e obras públicas, corrupção de servidores e lavagem de dinheiro. O prejuízo ao erário é da ordem de R$ 150 milhões. A Operação Máquinas de Lama é fruto da análise dos materiais apreendidos nas fases anteriores da Lama Asfáltica. Também foi constatado o repasse de valores a título de propina a agentes públicos, para obtenção de benefícios e isenções fiscais. Foram presos os seguintes alvos:

Jodascil da Silva Lopes – advogado ligado ao Instituto Ícone 

Rodolfo Pinheiro Holsback – preso em flagrante com munições

André Luiz Cance – ex-secretário adjunto da Sefaz

Mirched Jafar Júnior – dono da Gráfica Alvorada

QUINTA FASE: Papiros de Lama – 14 de novembro de 2017

Na penúltima fase até agora, os recursos desviados passavam por processos elaborados de ocultação da origem. Houve desvios e superfaturamentos em obras, direcionamento de licitações, uso de documentos falsos, aquisição ilícita e irregular de produtos e obras, concessão de créditos tributários direcionados e pagamento de propinas a agentes públicos. Prejuízos causados pelo esquema passam dos R$ 235 milhões.

Os valores repassados por propina eram mascarados com diversos tipos de operações simuladas, de forma a dar falsa impressão de licitude ao aumento patrimonial dos integrantes da organização ou de dar maior sustentação financeira aos projetos. Uma das novas formas descobertas da lavagem de capitais era a aquisição, sem justificativa plausível, de obras jurídicas, por parte de empresa concessionária de serviço público e direcionamento dos lucros, por interposta pessoa, a integrante do grupo criminoso. Os presos foram:

André Puccinelli Júnior – advogado e filho do ex-governador

Jodascil Gonçalves Lopes – advogado ligado ao Instituto Ícone 

João Paulo Calves – advogado ligado ao Instituto Ícone

André Puccinelli – ex-governadora preso em julho de 2018 em decorrência desta fase da operação. 

SEXTA FASE: Computadores de Lama – 27 de novembro de 2018

Na fase deflagrada hoje, o foco da força-tarefa foi empresários do ramo da informática. Durante a operação, foram presos o empresário do ramo de tecnologia João Roberto Baird e seu sócio, dono da PSG Informática. Romilton Rodrigues da Silva, apontado pelas investigações como ‘laranja’ de Baird, não foi encontrado e segue foragido.

De acordo com a Polícia Federal, os quatro estariam envolvidos em suposto esquema de lavagem e envio de dinheiro para o exterior, principalmente para o Paraguai. Cance lavaria dinheiro para Baird por meio de compras de imóveis e Antônio Cortez atuou em conjunto com o empresário para emitir notas frias para recebimento de propina. Foram presos:

João Baird – empresário do ramo de informática

Antonio Celso Cortez – sócio de Baird

André Luiz Cance – ex-secretário adjunto de Fazenda 

Romillton Rodrigues de Oliveira – pecuarista (foragido)

Fonte Midiamax.