DE TRANSFORMAÇÃO DE LIXO A AEROMODELOS, ESTUDANTES CONQUISTAM ESPAÇO NA ROBÓTICA

Estudantes de Mato Grosso do Sul estão ganhando cada vez mais espaço em competições de engenharia ou robótica, dentro e fora do país. A equipe Tuiuiú da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), por exemplo, vai participar de competição de aviões radiocontrolados em São José dos Campos (SP). Grupo de robótica da Escola Paulo Freire vai viajar para Índia, onde apresentarão máquina que transforma lixo em energia.

O professor Fernando Montanare, coordenador dos projetos Fórmula Universitária e Aerodesign da UCDB,  ressalta quando os acadêmicos participam de projetos como estes “saem da universidade não só com conhecimento técnico, mas, com conhecimento prático e  de trabalho em equipe”.

A opinião é compartilhada pelo professor de robótica, Moacir Colman. “Não é só aprender a criar robô, tem que pesquisar”.  É ele quem convida os estudantes a integrarem o grupo de robótica da escola Paulo Freire. “Você começa a observar o trabalho em equipe, em grupo e a criatividade do aluno”, diz.

NA PRÁTICA 

Felipe Daig, de 14 anos, é um dos 24 alunos que fazem parte do grupo de robótica da escola. Ele conta que a pesquisa sobre a máquina de transformação de lixo orgânico em água potável e energia teve início em 2015. Depois veio o trabalho de montagem da máquina com peças de lego.

A dedicação do grupo valeu a pena e eles conseguiram vencer a etapa nacional do World Robot Olympiad (WRO) — considerado o maior torneio de robótica do mundo —. Felipe explica que agora serão feitas algumas adaptações para a disputa internacional.

“Nossa expectativa é alta. A máquina já está lapidada, mas, vamos continuar lapidando”, diz. A ansiedade fica por conta do idioma, já que na competição internacional eles terão de fazer a apresentação em inglês.

Na UCDB, os acadêmicos de engenharia mecânica, controle e automação, elétrica e computação constroem aeronaves radiocontroladas para participar da competição SAE Brasil, um desafio em que o participante “se envolve com um caso real de desenvolvimento de projeto aeronáutico, desde sua a concepção, projeto detalhado, construção e testes”.

A primeira vez que a equipe participou do desafio foi em 2012, quando ficaram entre as dez equipes que conseguiram fazer com que os aviões completassem o percurso de voo. Agora, eles se preparam para a edição do ano que vem.

Outros projetos desenvolvidos na instituição e coordenados pelo professor Montanare são de construção de protótipos tipo carro de fórmula 1, veículo Off road e até elaboração de telescópio newtoniano.

O professor explica que o número de vagas costuma ser inferior ao de interessados. Por isso existe um processo seletivo para formação dos grupos. “Tem gente de praticamente todos os semestres, do 5°, 7°, 8°. O que precisa é força de vontade”.

Felipe Daige, que pensa em fazer faculdade de computação, completa que se tratando de robótica ou tecnologia é preciso fazer por “paixão. Se não gosta não tem jeito, não tem como ficar”, finaliza.