EM CADA LAR, DESEJOS DIFERENTES DÃO O TOM DA DIVERSIDADE AO DIA DAS MÃES

Mãe tem de todo jeito: as jovens, as maduras, as solteiras, as casadas, as experientes, as de primeira viagem. E cada uma delas encara o Dia das Mães, comemorado hoje (14), de uma forma bastante particular. É bem provável, a propósito, que a data seja, para a maioria delas, o dia para cheirar, abraçar e ficar com os filhos. Entretanto, nesses tempos em que tudo é problematizado, algumas referências podem mudar.

Comemorado em boa parte do mundo no segundo domingo de maio, o Dia das Mães foi oficializado no Brasil ainda no governo de Getúlio Vargas, em 1932, a pedido da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, com a ideia de valorizar as mulheres e mães trabalhadoras. Todavia, principalmente após a 2ª Guerra Mundial, a data passou a ser explorada comercialmente.

Daí é que as coisas chegaram a ser como são, atualmente. O Dia das Mães é uma das grandes apostas anuais do comércio, num contexto em que eletrodomésticos, perfumaria e cosméticos, nesta ordem. “Existe essa ideia estabelecida, até mesmo pelo reforço dos papeis de gênero, de que um bom presente para a mãe seria algo para a cozinha, para o lar, como uma máquina de lavar. Mas isso é um sinal de que não observamos a subjetividade delas, o que elas preferem para além da tarefa que desempenham”, explica a socióloga Roberta Martins, especialista em gênero.

Mães com a palavra

Em cada lar, o que se observa é a tentativa de desconstruir os estereótipo materno. Atualmente, com o crescimento das discussões cada vez mais crescente sobre maternidades, partos, educação de crianças e outros, o que se nota é que as a mães buscam, sim, desconstruir ideias pré-estabelecidas.

“Eu realmente não gostaria de ganhar produtos para casa, seja ele qual for. Pois da alusão que só sou dona de casa e não sou mulher”, opina Glê Schimitt, 28, dona de casa e blogueira, mãe de João Pedro, 5, Maria Luíza 2 e Maria flor 9 meses. Para ela, um primeiro passo para reinventar a maternidade também está no entendimento que os filhos tem sobre a data, inclusive, nos presentes que são entregue às homenageadas. “Gostaria de ganhar coisas relacionadas a beleza, produtos, cremes, perfume, um dia no salão de beleza, uma massagem”, completa.

A jornalista Karol Resquim, 28, é mais tradicional em relação ao que a data significa, porém, também acha que é importante levar em conta a personalidade das mães. “Acho que é um dia especial para a mãe ser acariciada pelo filho, mas também é uma data em que ele tem oportunidade de demonstrar o quanto ele conhece a própria mãe. Eu, particularmente, não me importaria de ganhar eletrodomésticos, mas pela minha situação, que moro sozinha com meu filho. Mas, creio que para outras mães, até quando eu penso em dar um presente, eu penso em algo que transmita carinho e que revele intimidade”, comenta.

Gaúcha de Canoas, a artesã Ivaniza Casconcelos Furhmann, 53, está pela primeira vez em Mato Grosso do Sul para passar o dia das mães com o filho Ricardo. Apesar de deixar bem claro que gostaria de ganhar um calçado, em detrimento de utensílios para o ar, Ivaniza prefere destacar o esforço de estar junto ao filho. “Já ganhei máquina de café de cápsula, edredom, óculos de sol. Mas o presente é o de menos, importante para mim é estar com meus filhos”, conta a artesã.

Já na casa da jornalista Nanci Silva, 49, mãe de dois filhos, Dia das Mães é uma data fora do calendário. “Na nossa casa, não comemoramos várias datas dos calendários festivos. Algumas datas acabaram sendo traumáticas para os meus filhos nos rituais escolares, quando eram obrigados a escrever uma redação para o pai, por exemplo. Na condição de mãe participativa e crítica, de forma intensiva, critiquei essas comemorações e sugeria que a escola substituísse o Dia da Mães e o Dia dos Pais pelo Dia da Família”, fala a jornalista, enquanto lembra que não existe mais um modelo único de família.

“Lá em casa, desenvolvemos um calendário próprio de comemorações. Se eu fico triste em não ganhar presentes e declarações no próximo domingo? Claro que não, tenho uma outra compreensão da maternidade – uma compreensão que me faz refutar a sua sacralização”, conclui. Fonte Midiamax.