FREI VENILDO TREVIZAN: “TESTEMUNHAS”

Opinião

Frei Venildo Trevizan  (Foto: Divulgação)
Frei Venildo Trevizan
(Foto: Divulgação)

Descobriremos valores na medida em que acreditarmos em quem os testemunha. Acreditaremos na história na medida em que confiarmos nos historiadores. Acreditaremos no amor na medida em que nos amarmos uns aos outros e constituirmos uma comunidade de fé.

Nossa história, a história da civilização ocidental, deveria ser um misto da cultura europeia com a cultura indígena. Mas massacramos a cultura indígena e implantamos a cultura europeia. E as consequências estão hoje clamando aos céus para voltarmos a sermos irmãos e não inimigos, a sermos solidários e não egoístas.

Para os cristãos, isso é importante como motivo de revisão do comportamento e das atitudes em face de uma civilização que deveria estar embasada na fé, no amor, no reconhecimento e no respeito pelos valores de cada cultura.

É por falta desse amor a esses valores que a humanidade ainda encontra-se envolvida, não só em guerras civis, mas tambem em guerras religiosas. Povos brigando por causa do mesmo Deus. Religiões guerreando pelo mesmo Jesus Cristo. Parece absurdo, mas é isso que está acontecendo em diversas nações.

E Jesus Cristo encontra-se no meio de nós. E nós não o conhecemos. Ou fazemos de conta que não o conhecemos. Pois tomamos certas atitudes que não são dignas de quem deveria testemunhar conscientemente o Cristo ressuscitado e vivo entre nós.

Empolga e enaltece o brio e a felicidade dos cristãos verdadeiros quando, convictos da ressurreição do Senhor, empenham-se em construir o amor solidário, testemunhar a fé na Igreja e celebrar a vida nova com todas as crenças, com todas as culturas e com todas as religiões.

Transformam-se em  testemunhas fieis e alegres. Sabem que ser testemunha significa viver e propor uma vida diferenciada. Diante de uma sociedade violenta, semeiam uma filosofia de paz. Diante de uma sociedade que impõe medo,  semeiam respeito e esperança. Em meio a uma sociedade que marginaliza os pobres,  semeiam  igualdade e fraternidade.

Esses cristãos vivem convictos em sua crença. Propõem ser de tal maneira que o mundo veja em seus semblantes o semblante do ressuscitado. Sintam em seus corações o amor de quem não teme doar seus sentimentos e suas convicções em favor do bem comum.

Esses cristãos saberão viver coerentes a sua fé, mantendo-se honestos no desempenho de suas tarefas, tanto na administração dos bens familiares, quanto dos bens públicos; tanto na condução de uma família, quanto na condução de uma nação.

Saberão testemunhar com palavras e obras sua missão cristã. Saberão construir uma nova era em que “a salvação estará próxima dos que temem o Senhor e a glória habitará em sua terra. Amor e fidelidade se encontrarão. Justiça e paz se abraçarão. E todos viverão como irmãos”.(Sl.85,10-11).

Essa é a sabedoria de quem descobriu a preciosidade de uma vida alimentada pela palavra de Deus que leva ao testemunho pessoal. Testemunho esse que transformará o ambiente, modificará o pensar e realizará o milagre de todos se tratarem como irmãos. Fonte:Correio do Estado.