GOVERNO TEME EFEITOS DA ‘LISTA DE JANOT 2′

Só o fim do sigilo da lista de citados na delação premiada de ex-executivos da Odebrecht poderá fazer o Palácio do Planalto mudar o comportamento e, depois de avaliar o tamanho do desgaste para o governo com as denúncias, reagir. Pego de surpresa com a divulgação por vazamentos dos primeiros nomes de ministros – alvos do pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF (Supremo Tribunal Federal) –, o presidente Michel Temer orientou os auxiliares a conter reações mais enérgicas dos citados e pediu que o trabalho não pare em função da publicidade da investigação, prevista para os próximos dias.

Até a última semana, seis ministros haviam sido citados: Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria Geral), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia),  Bruno Araújo (Cidades) e Marco Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

Com sete perdas de ministros acumuladas desde o início do governo, em 12 de maio do ano passado, Temer considera que perdurará o ‘código de conduta’ e apenas, na etapa seguinte, com o fim das investigações e a eventual transformação dos auxiliares em réus que será obrigado a afastá-los. O tempo conta a favor da estratégia, considerada, contudo, muito arriscada.

Nova lista de Janot reforça inquéritos do ‘quadrilhão’

A ansiedade do governo em ver quem é quem na lista da Odebrecht levou o Planalto a considerar acionar a AGU (Advocacia-Geral da União) para que as partes dos conteúdos referente aos ministros sejam tornadas públicas imediatamente.

Reformas

A preocupação maior é com o rigor no cumprimento do cronograma que prevê a conclusão da votação das reformas da Previdência e Trabalhista ainda no primeiro semestre. Para isso, porém, será necessário uma articulação para que as mudanças, se houverem, não alterem o escopo principal das propostas.

A piora da crise política e a proliferação de suspeitos no meio político são vistas como dificuldades que podem ser enfrentadas, caso as prioridades se arrastem para depois do recesso parlamentar do meio do ano.

O governo espera as duas reformas aprovadas na Câmara, em abril, e no Senado,  até o fim de junho.