Livro incentiva a sair da caixa e transformar a educação

Uma escola sem divisão de séries, que visa respeitar o desenvolvimento das crianças e potencializar suas necessidades naturais com ênfase na liberdade do movimentar-se. Assim é a escola particular Kid’s Home, de educação infantil e ensino fundamental I, localizada em Cotia, São Paulo.

Contudo, o foco aqui não é a Kid’s Home em si, mas o trabalho desenvolvido por seus educadores e que pode ser aprofundado no livro recém-lançado Picolé e sorvete para todos – percursos de uma escola inovadora e criativa (Ed.Paco Editorial).

A obra de 160 páginas nasceu do impulso da diretora do colégio e autora do livro, Regina Pundek, de mostrar e inspirar demais colegas de profissão e famílias de que é possível “sair da caixinha” e atuar com uma educação transformadora.

Com prefácio do educador José Pacheco, as páginas foram escritas não só por Regina, mas por outros coautores que trabalham na Kid’s Home, a Karina Silva, Kátia Pacicco, Janyssa Szanto e Rodrigo Toyama. “Os capítulos abordam como os educadores/autores acreditam que a educação deve ser: com atenção e respeito ao desenvolvimento das crianças”, explica a diretora.

O capítulo 10, por exemplo, tem como título Do que precisam as crianças, o 12 aborda Respeito ao ser – questões de gênero e o 14 leva o nome de Formação e transformação de professores.

Transformar a educação

Em 2016, a Kid’s Home recebeu o selo de reconhecimento do MEC em Inovação e Criatividade.  Para se ter uma ideia do que é praticado com os pequenos nessa escola, no fundamental I, as crianças lidam com questões financeiras e atividades que estimulam a autonomia. Nessa etapa elas possuem uma planilha coletiva no Excel em que gerenciam a entrada de dinheiro depositado mensalmente por elas em um cofre na sala. A tarefa é os alunos definirem a origem do dinheiro, destinada geralmente a passeios em que eles escolhem e organizam todo o processo.

“Essa escola é uma escola de provocação que faz as pessoas repensarem o que é melhor para as crianças frente a este contexto social monstruoso que temos fora. E mostra o que conseguimos, porque nem tudo o que desejamos a gente consegue colocar em prática. Já dizia Paulo Freire: “a situação ideal é quando a nossa práxis está superperto do nosso discurso”, exemplifica Regina.

A autora do livro revela que espera que não só educadores leiam a obra, mas que famílias também, porque segundo ela, uma das grandes dificuldades de uma escola inovadora e criativa é a aceitação das famílias. Segundo Regina, “os pais têm tanto receio do novo e então eu gostaria que eles lessem”.

No movimento da Maré

Ainda este ano a escola Kid’s Home passará a se chamar Maré da Kid’s. O último capítulo do livro aborda essa transformação. “Maré é para nós essa onda de energia, de movimento gerando uma nova forma de olhar o aprendiz e o educador. Uma nova forma de ensinar a aprendizagem e a ensinagem. Não é tudo culpa do aluno porque ele não aprende. Assim sendo, não existe culpa para nós. Existe momento para ele aprender determinadas coisas e o educador é o responsável pela sua ensinagem”, detalha a diretora.

*Fonte Revista Educação