MULHER LARGA EMPREGO PARA SER VICE-PRESIDENTE DE CLUBE

Ela é mulher, apaixonada por futebol e há pouco mais de um ano é vice-presidente do clube fundado em 2006 pelo pai, Aprígio Gusmão. Aos 27 anos, Renata Gusmão faz parte da diretoria do Pesqueira Futebol Clube. Antes ela trabalhava na área de contabilidade de uma empresa do município, mas decidiu abrir mão do emprego para manter vivo o legado do pai.

Renata sempre ajudava Aprígio na administração do clube, mas não tinha cargo efetivo. Em 2012, quando a Águia do Agreste chegou à elite do futebol pernambucano, ela e o pai desenvolveram um projeto para abrir a sede, loja do time e organizar a parte administrativa. Quis o destino que ele não visse o sonho se concretizar. Aprígio foi vítima de um infarto em setembro de 2013 e a filha tornou-se responsável por colocar as ideias do pai em prática. 

– A morte do meu pai foi um baque, um choque, mas eu não poderia deixar o sonho dele parar. Foi quando eu saí do meu trabalho e foquei no Pesqueira. Entrei na administração do clube em 2014 e comecei a trabalhar como Diretora Social. No mesmo ano fui eleita vice-presidente do time. E vou fazer o que eu puder para ajudar.

A mandatária conta que teve o apoio dos diretores do clube para assumir a vice-presidência. Eles ainda sugeriram que ela fosse a presidente, mas como não tinha experiência, não quis. Agora a dirigente cursa Administração com o objetivo de inserir o aprendizado do Ensino Superior nas atividades do Pesqueira.

Sobre o preconceito sofrido por muitas mulheres no meio do universo dos esportes, Renata garante que nunca sofreu com isso.

– Com relação à mulher, sempre existe um preconceito. No meu caso, eu nunca sofri este tipo de coisa. Acho que porque eu sempre acompanhei meu pai e todos tinham um carinho muito grande por ele. Foram os próprios antigos administradores do Pesqueira que me incentivaram a seguir esse caminho. Os torcedores me acolheram bem e os jogadores me respeitam muito.

Na vice-presidência do clube, Renata tem contato com a Federação Pernambucana de Futebol, faz os contratos dos jogadores e, como o jogo não é só dentro do campo, ela cuida de toda a logística que há por fora. Ela é responsável por cuidar das viagens e alimentação dos atletas quando eles têm jogos em outros lugares.

– É um time pequeno, do interior, mas dá muito trabalho. Por esse trabalho é que não me sinto preparada para ser presidente do clube. Mas se eu me sentir apta, sentir que vou conseguir e tiver o apoio, quem sabe eu não chego à presidência? Fonte Globoesporte.com