PEDRO CHAVES: “EM DEFESA DA MICROEMPRESA”

Sou defensor da microempresa. Acredito piamente no empreendedorismo. Não se trata de fé cega, mas de crença sustentada em minha experiência de vida. A partir da Mace, que criei em Campo Grande no fim dos anos 1960, com meus irmãos, deixei minha marca na educação de Mato Grosso do Sul e do Brasil ao construir a Uniderp, uma das dez mais importantes universidades privadas do Brasil. Tive a felicidade de gerar empregos, renda, tecnologia e oportunidades para muitos trabalhadores e trabalhadoras do meu Estado.

Sou sabedor de que o ramo empresarial, seja ele pequeno, médio ou grande, tem suas dificuldades. Não é um caminho fácil, como alguns podem pensar. Os problemas estão em toda parte e o fracasso, à espreita, mas nessa trilha é que reside a esperança de avanço para o nosso País.

Digo isso porque os microempresários, esses guerreiros e guerreiras do cotidiano, têm evitado o agravamento da situação econômica brasileira. As empresas pequenas têm sido as grandes empregadoras do Brasil, amenizando os efeitos do alto índice de desemprego dos últimos anos.

De janeiro a agosto do ano passado, enquanto as companhias médias e grandes dispensavam mais de 180 mil trabalhadores, as pequenas contratavam quase 330 mil pessoas. Ou seja, os negócios de menor porte têm sido um amortecedor contra o desemprego neste País.

Segundo o Sebrae, os pequenos empreendimentos são responsáveis por 70% dos empregos no Brasil. Quase 51 milhões de pessoas têm alguma renda por causa das micro e pequenas empresas. Contribuição dos negócios de menor porte estende-se para além do mercado de trabalho. Eles geram 27% do PIB nacional, além de trazerem divisas para o País, com exportações na casa de US$ 1 bilhão.

Em Mato Grosso do Sul, os pequenos empreendedores desempenham um papel ainda mais destacado. Eles não só criam a maioria dos empregos, como também movimentam boa parte da economia sul-mato-grossense. O setor de serviços – em que predominam os pequenos negócios – responde por cerca de 60% do PIB estadual, num montante de quase R$ 50 bilhões.

É importante notar que, no fim de 2017, estimava-se que o crescimento do PIB sul-mato-grossense seria de 2,4%, a terceira maior alta entre as 27 unidades da federação. No setor de serviços, o crescimento seria de 1,5%, o maior do Brasil. Isso demonstra a importância dos empreendimentos de menor porte para o Estado.

Percebe-se essa relevância pela multiplicação dos negociantes de pequeno porte em Mato Grosso do Sul. Nos últimos anos, a quantidade de microempreendedores individuais cresceu. Saiu de 71 mil cadastrados em 2015, para alcançar 113 mil, em janeiro deste ano. Um aumento de quase 60% no período.