POLÍCIA CIVIL ENCONTRA MAIS DUAS OSSADAS DE VÍTIMAS DE GRUPO DE EXTERMÍNIO

Polícia Civil encontrou, na manhã de ontem, ossada de mais duas vítimas de Luiz Alves Martins Filho, o Nando, 49,  no cemitério clandestino localizado no Jardim Veraneio, em Campo Grande. Escavações devem continuar durante toda a tarde.

Desde o início das investigações, já foram encontradas 10 ossadas de vítimas que teriam sido executadas pelo grupo de extermínio chefiado por Nando, responsável por pelo menos 16 mortes na região do bairro Danúbio Azul.

De acordo com o delegado Márcio Shiro Obara, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio (DEH), local onde restos mortais estavam enterrados foram indicados por Nando. Junto a ossada haviam roupas, objetos pessoais e materiais usados para consumo de drogas.

Polícia Civil ainda não tem identificação das vítimas, mas há indicativo de que sejam mulheres e suspeita é que ossadas sejam de Jhennifer Lima da Silva, de 13 anos, e de Jhennifer Luana Lopes, de 16. No entanto, restos mortais foram levados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) para identificação.

Jhenifer Lima está desaparecida desde 2014 e Jhennifer Luana desapareceu em março deste ano. Ambas seriam usuárias de drogas e teriam furtado mercearia de um dos comparsas de Nando.

INDICIAMENTO

A Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e à Juventude (Deaij) indiciou 17 pessoas por envolvimento com esquema de tráfico de drogas e exploração sexual de menores.

Além de Nando, foram indiciados: Ariane de Souza Gonçalves, 19; Talita Regina de Souza, 21;, Wagner Vieira Garcia , 24;, Jean Marlon Dias Domingues, 20;, Michel Henrique Vilela Vieira, 21; Andréia Conceição Pereira, Diego Vieira Martins, Rudy Pereira da Silva, Jeová Ferreira Lima, Jeová Ferreira Lima Filho, a mãe e o irmão de Wagner, bem como outras quatro pessoas que não tiveram os nomes divulgados.  Rudy  responde apenas por maus-tratos a animais, pois na casa dele havia cerca de 70 galos de rinha.

Entre eles, 11 respondem em liberdade. Continuam presos Nando, Ariane, Talita, Wagner, Jean e Michel, apontados como autores diretos de 13 homicídios ocorridos no bairro desde 2012.

Segundo o delegado Márcio Obara, da Homicídios, ainda não é descartada a hipótese de mais homicídios e de mais vítimas.

ESQUEMA

Nando coordenava esquema de tráfico de drogas que fomentava o consumo e outros delitos correlatos no bairro. Ele abusava de adolescentes que faziam qualquer coisa para alimentar o vício. Por isso, os convidava para orgias sexuais e trocas de casais com Ariane a Talita, assim como com Jean e Wagner, sendo estes amantes homossexuais de Nando. Eventualmente, tais usuários cometiam pequenos furtos, fazendo com que Nando decidisse matá-los.

As mulheres atraíam as vítimas até o local no Jardim Veraneio, e elas iam sem hesitar, pois já estavam condicionadas aos encontros. Porém, quando chegavam lá, era mortas. O padrão adotado por ele e passado para os comparsas se baseava no homicídio por enforcamento com corda ou estrangulamento com as mãos, pois não gostava de ver sangue. Em seguida, enterrava os corpos de cabeça para baixo, pois desta maneira facilitava a escavação das covas. Fonte Correio do Estado.