PSICÓLOGO LARGA CARREIRA POR SONHO DE CURSAR MEDICINA NA UNICAMP

A vida profissional do psicólogo Juliano Watanabe, de 34 anos, mudou radicalmente, pela segunda vez em 2 anos, no final de fevereiro deste ano quando o nome dele apareceu na terceira chamada dos aprovados do curso de medicina da Unicamp.

Watanabe deu o primeiro passo radical na carreira no início de 2016. Ele tomou coragem e com apoio da família e da companheira, a também psicóloga Mariana Cagnoni Bonfim, pediu exoneração do cargo de psicólogo na Prefeitura de Campinas (SP).

“Vou radicalizar! Vou prestar medicina”, foi o que disse quando resolveu trocar oito anos de uma carreira bem sucedida como psicólogo para ‘mergulhar’ na maratona de estudos , muito comum entre os vestibulandos de medicina.

Desde então, a vida de Watanabe deixou de ser aquela de atender pacientes nos centros de referência de assistência social (Cras) de Campinas para encarar 14 horas por dia com aulas em cursinhos, livros, cálculos e conjunções verbais, fora outras disciplinas exigidas nas provas. Tudo para vencer o vestibular mais concorrido da Unicamp, que na primeira fase deste ano tinha 278,9 candidatos por vaga.

O início da mudança

O nome na terceira lista da Unicamp também foi reflexo de uma primeira ‘batida’ que ele sentiu, em 2011, pela carreira de médico. Naquele ano, Watanabe fazia especialização em psicologia no setor de nefrologia do Hospital das Clínicas da USP, na capital.

“Foi a primeira vez que bateu para mim, nossa, que bacana essa coisa de trabalhar junto com médicos. De olhar e observar despertou um desejo. Ainda não era muito claro. Ainda me sentia muito mais psicólogo”, comenta sobre o início da decisão de não só tratar a mente de um paciente, mas também o corpo, a parte física.

Depois do Hospital das Clínicas, o Juliano Watanabe passou como psicólogo por Santana do Parnaíba (SP), por cerca de um ano.

Apesar da ‘batida’ na USP, a vida como psicólogo seguiu em frente e ele foi aprovado em um concurso público na Prefeitura de Campinas. O ano era 2012.

Naquele ano, ele e a namorada se mudaram para Campinas e passaram a morar juntos, mas ela foi trabalhar em posto de saúde. Já ele, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Primeiro, no Jardim Satélite Íris. Depois, no São Luís.

Mesmo gostando da convivência com os colegas e pacientes, Watanabe confessa que não se sentia realizado profissionalmente. O dia a dia dele era dedicado para atender famílias vulneráveis, uma forma de tentar evitar que vínculos fossem quebrados e problemas, como violência, aparecessem no futuro.

Mas o hábito familiar dele em discutir os casos [clínicos] pelos quais a namorada enfrentava no dia a dia no posto de saúde, apesar de ser psicóloga, o deixava ainda mais envolvido no sonho de ser médico. E o apoio da companheira foi fundamental.

“Olha, sem o apoio dela eu acho que não conseguiria, não ia dar conta. Ela viu quanto eu sofria, via quando eu chegava em casa desgastado do trabalho tentando fazer as coisas acontecerem”, lembra o psicólogo.

O profissional contou também que não foi fácil deixar o cargo na Prefeitura porque foi muito concorrido e pagava acima de outras prefeituras. Outra dificuldade neste período foi não conseguir aprovação nos vestibulares prestados de 2017. Isso significava mais um ano de estudos, ou seja, maratonas de 14 horas diárias em cima dos livros e aulas.

Mariana no apoio

A psicóloga Mariana Bonfim também conviveu e participou das mudanças do colega de profissão e companheiro no amor. Para ela, era a hora de mudar.

“Acho que no começo foi uma decisão difícil, mas em nenhum momento eu pensei em não apoiar. Ele estava bem infeliz no trabalho, então, qualquer mudança tinha que ser feita”, comenta Mariana.

Ela o ajudou nos últimos dois anos, já que a rotina dele era puxada nos estudos e mudou a rotina do casal. Eles passaram a sair menos juntos e a viajar também. Apesar da alteração, a companheira disse estar confiante no futuro do marido.

“O fato de ser psicólogo vai ajudar muito. Vai agregar ao ser médico. Não vai melhorar e nem piorar, mas vai agregar as duas coisas”, pontua.

E agora Watanabe?

Agora, o desafio do psicólogo formado em 2009 é enfrentar anos de estudos na Unicamp até se formar médico. Watanabe disse ser muito cedo para apontar em qual área pretende atuar ao se formar, mas dá umas dicas.

“Muitos me perguntam se eu vou ser psiquiatra? Não seria minha primeira opção. A neurologia é uma coisa que me encanta. Mas, estou muito aberto à pediatria”, explica.

Questionado se o fato de ser psicólogo pode ajudá-lo na nova carreira, ele reforça a ideia da namorada de agregar as duas áreas.

“Na psicologia a gente estuda muito essa ideia de saúde, de doença não só ligada ao corpo. É um desafio não perder essa visão que eu adquiri. E, agora, com certeza, é maior, porque o médico faz uma intervenção mais concreta do corpo”, finaliza. Fonte G1.