TRIBOS SE PREPARAM PARA OS PRIMEIROS JOGOS MUNDIAIS DOS POVOS INDÍGENAS

Jogos Indigenas

Lançamento nacional da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Os jogos serão em outubro, em Palmas, Tocantins                      Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Lançamento nacional da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Os jogos serão em outubro, em Palmas, Tocantins Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A quatro meses para a primeira edicação dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, as comunidades estão na reta final para a escolha dos atletas. Os jovens treinam pelo menos três vezes por semana e recebem alimentação especial. “Os atletas não podem comer qualquer coisa. Eles têm que tomar cuidado com o local onde sentam. Não podem sentar no mesmo lugar onde velhos sentaram, por exemplo”, explica o líder Jakuri Pep Krakete, da etnia Gavião Parkatêjê, do Pará.

A comunidade Gavião deve decidir, nas próximas semanas, os seus representantes nos Jogos Mundiais. Os treinos ocorrem três vezes por semana e envolvem as oito aldeias do território. Entre as modalidades que estão sendo desenvolvidas estão corrida de tora, arco e flecha, canoagem e futebol.

Na canoagem, Krakete diz que está a maior dificuldade. A maior facilidade, no futebol. É deles a primeira seleção indígena profissional: Gavião Kyikatejê Futebol Clube. Para os que estão participando dos treinos, ele detalha que a alimentação é à base de berarubu, como é chamada a mandioca, e carne de caça, principalmente de veado, porco e paca. Estão incluídos na alimentação ainda milho, inhame, batata, açaí e castanha-do-pará.

A liderança foi uma das que participou hoje (23) do lançamento dos primeiros Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, em Brasília. Os jogos serão de 20 de outubro a 1º de novembro, em Palmas, Tocantins. Cada país poderá inscrever até 50 participantes, totalizando 2,2 mil indígenas de 1,1 mil etnias nacionais e outro tanto de etnias internacionais. Os representantes dos povos indígenas continuam em Brasília, participando de congresso técnico até a próxima quinta-feira (25).

Além dos povos Gavião, o pueblo Kariña, da Venezuela, também treina. A seleção dos atletas venezuelanos será e julho, nos jogos indígenas nacionais. “No país são 42 povos,e  apenas 50 delegados serão selecionados. Queremos trazer também documentos tradicionais do que são os povos indígenas. Trazer o conhecimento de nossos irmãos”, diz Raul Tempo, que representava o país na cerimônia de lançamento dos Jogos Mundiais.

Jailson Azanezakemae, 27 anos, é um dos atletas que está sendo preparado entre os parecis, etnia de Mato Grosso. Ele joga futebol. Para ganhar, segundo ele, o segredo é simples: “Entrar no campo, jogar melhor que o adversário para ganhar”. O avô, o cacique Narciso Kazoizase explica que os atletas têm mais responsabilidades, além de fazer um bom jogo. Tudo que aprenderem terão que repassar aos demais jovens. “É a mesma coisa que escola, tem que preparar para já aprender e depois passar para os outros jovens”, diz.

Além do Brasil, 22 países participam do congresso técnico, indicando intenção de participar dos jogos. Para o idealizador, o líder indígena, Marcos Terena, é a realização literal de um sonho. Quando jovem, sonhou com irmãos de várias etnias, de vários países, se encontrando. Foi ele quem buscou apoio junto ao governo para a realização do mundial.

Junto com os jogos, em outubro, o Fórum Social Indígena deverá formar a Comissão Internacional Indígena, que funcionará como o Comitê Olímpico Internacional, responsável pela organização dos Jogos Olímpicos. Também será definida a frequência dos jogos.

“Nós estamos cumprindo uma primeira etapa, de envolver outros ministérios e a Organização das Nações Unidas (ONU), não para fortalecer em termos de recusos financeiros, mas sobretudo o compromisso com a questão indígena e com o nosso projeto de realizarmos os jogos com equilíbrio ambiental, para que a gente mostre o verdadeiro espírito de atletismo, onde a medalha é uma referência, mas não é o principal, o pricipal é a celebração”, segundo Terena.

Participaram do lançamento, além dos representantes indígenas, a presidenta Dilma Rousseff, o ministro do Esporte, George Hilton, e ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo; da Agricultura, Kátia Abreu; da Cultura, Juca Ferreira; da Integração Nacional, Gilberto Occhi; do Turismo, Henrique Alves; e das Políticas Públicas para Mulheres, Eleonora Menicucci; além de representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil e dos governos do Distrito Federal, de Tocantins e da prefeitura de Palmas. Fonte: Agência Brasil.